Minha mente é uma piscina

Tchibum! Chuá! Olha eu aqui dentro da minha cabeça... Como vão neurônios, axônios, dendritos, todos vocês meus amigos tão próximos?
Nem o Bob Esponja tem amigos náuticos tão importantes como os meus. É verdade! Descobri há pouco tempo que nós somos um condomínio sem taxas exorbitantes, sem taxa alguma, na verdade. E com a melhor piscina que se pode ter.
Eu poderia morar aqui dentro por muito tempo. Mas tem que trabalhar, ir pra faculdade, tem até que pegar ônibus e ouvir um monte de gente que não conseguiria morar em si por muito tempo... Que dureza!
Aliás, que calamidade essa falta de política de habitação interior! Nunca vi nada igual. Um monte de desabrigados. Não é só no ônibus, não. Estão por toda parte... Já pensou se essa história de reforma urbana pega? E se descobrem que o tamanho do espaço que eu utilizo aqui na cachola sem pagar qualquer tributo a mais?
Fico é calado, mergulhado nessa piscina boa que não me deixa enrugado ou gripado. Nada melhor.
Outro dia queriam que eu me abrisse. Desconfio. Desconfio na hora... Abrir a cabeça é correr risco. Lembro dos desabrigados e temo. Vai que algum resolve mergulhar por aqui também... Olho vivo!
No mais é isso. Nunca falei deles, queria homenageá-los por tudo que são pra mim. Pela companhia que me fazem e pelo bem! Sim, pelo bem que tanto me proporcionam... Amigos do fundo dessas águas límpidas aqui, obrigado por me permitirem tê-los comigo nesse lugar de vivas beneces.
Escrito por Wagner às 01h56
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