Senhor,

A cidade passa pela janela do ônibus e não me importo de perdê-la para sempre. Meu olhar nada atrai de bom para mim, com exceção das coisas que não posso ver.
Quando ando pelas ruas, não tenho pressa de chegar aonde é preciso, nem mesmo de voltar de onde saí. Passaria dias caminhando sem cansar, caso pudesse logo correr pelos jardins de tua morada, onde o cheiro das águas inspiram vida por todo canto.
Se olho para dentro de mim, é porque insisto em encontrar um rastro teu. Mesmo um caminho de terra batida, com pedrinhas espalhadas, seria um conforto para meus pés vacilantes, sofridos de esperar pelas estradas de Jerusalém.
Eu tenho pressa, porque estou farto de chamar ao feio, belo. E não me contento mais com o esforço de achar que esta vida fala algo de ti. Se ela diz algo, só ouço que te quero para mim o quanto antes.
Histórias de um dia inteiro. Alegrias e questionamentos de quem nem sabe ao certo algo de ti e vive. Já eu que penso saber qualquer coisa, quero só viver se for em ti, porque não há nada bom lá fora na janela.
Não são mais saudades. É desejo! Uma paixão quase incontrolável de querer estar aí. Seguro de tantas histórias e sofreres que, sinto, querem arrancar-me de ti.
Quero sentir o cheiro das águas e contemplar de perto o que agora não posso ver.
Vem.
Escrito por Wagner às 20h44
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