Transtorno Obsessivo Compulsivo: eu tenho?

Antes do assunto... Sim, eu perdi o bolão! E confesso que torci para a Croácia marcar um gol, precedido por outro do Brasil. Não aconteceu, mas a vida continua até o próximo bolão! Agora, de R$2,00.
Mas eu quero mesmo é falar desse negócio de TOC! Será que tenho? Não são raras as vezes que cenas do filme “Uma Mente Brilhante” aparecem pelas mesas, telas e paredes dos locais em que ando. Justamente aquelas em que o personagem principal enche paredes de seu escritório com anotações, códigos “decifrados”, uma papelada só, cheia de nomes e números!
No caso dele, tinha a ver com autismo. No meu, deve ser TOC! Se bem que os autistas demoram para reconhecerem a si mesmos como tais. Mas duvido que eu seja um... Fico com a hipótese do TOC.
Explico. Hoje, estudando discursos, que acompanham notícias de feriado de “Corpus Christi”, notei que tenho o costume de anotar palavras referentes ao contexto da notícia.
“Inúmeras manifestações de louvor”, “fiéis de todas as paróquias”, “tapetes de cerragem, coloridos, ornamentados...”, “pomposa decoração”, “saiu... seguiu... atravessou... passou...”, “a procissão percorreu”, “encerramento do ato religioso”, “diferencial em relação às demais”, “o ponto alto”, “bênção seguida de oração”... Tudo, e mais algumas coisas técnicas, anotado em uma caderneta.
Eu justifico, para mim mesmo, que a necessidade de mais uma caderneta de anotações do gênero, em minha estante, deve-se a um rigor jornalístico. “Há estruturas lingüísticas comuns aos atores deste fato que precisam ser preservadas, sob pena de interrupção da produção de sentidos, o que tornaria incompreensível a notícia”, digo para mim.
Tenho visto textos óbvios. Mesmo na Folha de S. Paulo ou em sites internacionais. São descrições da multidão e de seus gestos. Narrativas de percursos ou de feitos artísticos. Falas tradicionais de senhores e senhoras agraciados por Deus. Isso tudo é importante, mas são coisas que os fiéis falam quando chegam em casa. O que quer dizer que todo mundo sabe contar o que os jornais dizem sobre o assunto.
Voltando à caderneta... Tenho a seguinte revelação: jornalistas acham que solenidade religiosa é participação popular, tradição e apelos estéticos. Falta um olhar mais referencial! Um texto que compare dimensões.
Estive pesquisando e concluí que: a única procissão solene do cristianismo foi resposta ao pedido de uma mulher. Não vi uma matéria sequer citando a questão! E poderia render reflexões sobre a participação da mulher na Igreja, numa visão distinta do feminismo de hábito. Para quem preferir dados mais “estatísticos”, outra conclusão: cresce o número de católicos que duvidam da presença real de Cristo na eucaristia. Em tempos de eleições, valeria esta: autoridades fazem vista grossa para profanações de hóstia.
E há outras observações que enriqueceriam mais o texto. Mas se ainda assim alguém insistir nas matérias estéticas, seria interessante um olhar para fora das procissões em si! Por que não falar das pessoas que não estão andando na multidão? Como aquelas que ficam nas sacadas e janelas, jogando flores ou apenas expondo objetos de culto. Quais as histórias delas (e de seus objetos, vá lá...)?
Começo a achar que meu problema não seja TOC... Meu problema é poesia, literatura. E algo me diz que não quero cura para esse mal.
Na próxima caderneta: anotações sobre os códigos lingüísticos do jornalismo esportivo! Quero dizer: palavras sobre futebol. Para quem preferir um entendimento estético!
Escrito por Wagner às 13h34
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Eu quero 2 x 1

Olê, olê, olê, olê, olê! Ronaldinhoooooooo!
Taí, eu quero ver dois gols da Seleção de 1 bilhão de reais. E para dar aquela adrenalina, quero um gol dos adversários, também. Mas confesso que, assim como os donos da bola, meu interesse é financeiro: quero ganhar o bolão do meu estágio.
Cinco reais... Nunca apostei tanto em um bolão! Prova de minha recém simpatia por arriscar na sorte.
O país parou e minha mãe parecia que chegava em casa num trio elétrico do banco Itaú, querendo a sexta estrela! O som do carro tava tão alto que eu imaginei o quanto ela deve ter gritado para pedestres e motoristas, comemorando antecipadamente a vitória do Brasil, no percurso do trabalho para casa.
Estou na expectativa para um bom resultado. Também estou na dúvida se fico em casa ouvindo as tentativas da minha mãe de prejudicar a visão do time adversário (“Cegai, Senhor!!! Aaaaaaaaaah!!! Cegai! Cegai!!”) ou se vou assistir a partida com meus amigos que não entendem nada de futebol, mas que me convidaram para juntos não entendermos nada.
Além da euforia da minha mãe – graças a Deus ela tem um coração saudável! -, duas coisas me chamam a atenção: uma rádio católica que corta o programa religioso para colocar comentário de jogo, horas BEM antes da estréia do Brasil na Copa. Outra: meus primos não me convidarem, mais uma vez, para ver o jogo com eles!
Tudo bem. Em minha fase materialista, o importante é que tenhamos um 2x1, para o Brasil!
Escrito por Wagner às 14h38
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