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Vinte Ver
 


Feliz aniversário

Gardênia Holanda Maciel,

 

Que neste dia você seja revigorada em suas alegrias e pensamentos

Que possas subir nas sombras dos pássaros que cruzarem o asfalto

E passear pelas janelas dos concretos frios da figura urbana

Todos os espelhos, hoje, pedem um olhar teu

Numa tentativa de restaurar os bons reflexos do mundo

 

Que bom seria, na nuvem perfumada de ti, perder-se a cidade inteira

Despertada pelos dentes de humor, teus

Num riso conspiratório de quem não aspira o ter das coisas

Senão o ser de tudo, das sinfonias e luzes

Dos ares de bem e de perigos flagrantes

 

Ao anoitecer, caída de sombras aladas, nos lençóis de pensamentos

Eu estarei à porta do quarto, velando os sonhos de ti

Tão comuns à minha história e sem os quais

Não me reconheceria em qualquer reflexo

Porque te aprecio e quero bem

 

Felicidades.

Escrito por Wagner às 12h10
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Hoje pensei em ir embora

 

Deixar tudo e seguir. Talvez para um outro país, para onde pudesse recomeçar, já sabendo quais erros evitar! Talvez, na realidade, uma chance de aprender tudo de uma vez só, com o sacrifício que nunca precisei fazer: viver do próprio esforço, viver de si. Eu tive muito tempo para aprender a ser bonito e conheci pouco do feio da vida.

 

Ainda bem!  Não lamento por isso... Mas sei que com tudo se aprende. Alguma coisa deixei de saber sobre o outro lado e de repente é isso que torna algumas coisas tão complicadas para mim. Ah, me incomoda saber que não aprendi pode me acompanhar pro resto da vida! Uma ausência de presenças.

 

Taí... Quem diria “ausência de presenças”? Quem não aprendeu o lado B da existência. O que não significa dizer que essa é uma fala de quem aprendeu o lado A. É verdade que a existência tem lados múltiplos!

 

Matemática pura e simples.

 

É... Queria ir embora e sequer dizer adeus. Partir para o que não aprendi e ver se no fim das contas saberia mais sobre a vida e tudo o que ela contém.



Escrito por Wagner às 22h07
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O filme do livro

 

Assisti ao “O Código da Vinci” no dia mais inóspito: domingo, após a cobertura do vestibular. Sim! Eu queria pensar em outra coisa que não gabaritos e números de faltosos. Mas confesso que a maior motivação era ver como o diretor do filme fez para compactar toda história em quase duas horas de imagens em movimento.

 

E em poucas palavras eu diria que, agora, entendo porque as pessoas sempre dizem que os filmes não são bons como os livros. Foi a primeira vez que assisti a uma história cujo livro li com antecipação (aliás... acho que foi a primeira vez que assisti a uma história cujo livro tinha lido!!).

 

É ruim. É chato. É resumido. Como espectador fiquei frustrado. Mas em uma análise “comunicacional” da coisa, saiu em concomitância com o objetivo! Vivemos tempos – e já o vivemos há muito – em que comunicar é compactar, “cortar palavras” como diriam alguns. E durante a projeção do filme notei como isso é ruim, mas como foi bem trabalhado para alcançar a meta resumitiva.

 

Desculpem se sou o chato agora, acontece que na telona a história pareceu coisa para adolescentes bobos entenderem o óbvio. Nada daquele mistério, proposto pelo livro, que faz você pensar possibilidades, tentar ser mais esperto que o autor, descobrir!! Ao contrário: tudo estava à mão.

 

Se os personagens agiam de modo intrigante, dois minutos depois algo acontecia para compreendermos o motivo das ações. Enquanto que no livro isso demorava páginas e páginas, justamente para termos tempo de pensar. Deve existir uma questão financeira por trás disso, também! Claro... Enxugar a história é diminuir gastos e isso não é crime.

 

Captou? As telas não querem que pensemos. Ou pelo menos que não pensemos muito, por páginas e páginas... Fico imaginando se não é justamente isso que aqueles espectadores estéticos queriam.

 

Não gosto de me sentir pedante! Mas quando vejo essa turma de shopping center fico com medo de imaginar que, um dia, o futuro possa depender deles... São tão... Tão... Tão estéticos, tão igualmente estéticos. Sem detalhes! Não gosto de me sentir pedante.

 

Eu bocejei uma, duas, três... Queria que acabasse. Claro que me incomodei com o teor “vamos dizer que a Igreja é mázinha”, mas não só isso! Como não precisava pensar muito, me restava assistir, inclusive as modificações grosseiras na história.

 

Sophie Noveau não era neta do velho guardião?! COMO?! Como mudar a história a esse ponto? E o beijo? Como tiram o único beijo entre a mocinha e o mocinho? Tiraram. Ficou um beijo na testa. Tiraram até a família da mocinha e colocaram uma cena idiota: Sophie brincou que andava sobre as águas. Foi algo grosseiro. Estético, somente.

 

Algo de bom? Gostei de ver o rosto humano de Maria Madalena. Gostei das câmeras que atravessam máquinas e pirâmides de vidro. De fato, cinema não é livro. Hum... Sinais dos meus 23 anos... Estou ficando um velho ranzinza!

Escrito por Wagner às 00h44
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