Coisas que não faço com as pessoas

Na maioria das vezes sou o cara que faz de tudo para não constranger quem quer que seja. E se eu consigo, os demais poderiam ao menos tentar... Dia desses alguém realmente não estava disposto a tentar! Aconteceu no meu estágio: uma aluna queria informações num momento inoportuno no qual, de fato, eu não poderia atendê-la como deveria.
- Oi... Tudo bem, Wagner? / - Oi! Boa tarde... - em pensamentos: “não demora, não demora...”
- Queria saber como ___(em nome da ética não posso revelar :-P)./ - Ah... Olha só... Não sei te informar sobre isso, viu? É que esse não é meu setor.
- Ué? Você não trabalha aqui?/ - Sim... Mas não no setor que poderia te informar isso.
- Ah... E qual o seu setor?
Sim. Nesse momento pensei qual é o meu segredo... Por qual razão atraio justamente quem faz esse tipo de questionamento? Ela poderia ter se conformado com o meu “não saber” do assunto... Pra que me humilhar com uma pergunta dessas? Por quê?
A conversa iria ser prolongada, tomei fôlego.
- Ah... Segredo. / - Nossa... Que setor é esse tão secreto?
Sim. Ela disse isso. Mas algo dizia que era merecido.
- Ah... Mas era só sobre isso? / - Na verdade eu queria saber também se __(ética... desculpe!)
- Hum... Ok. Aguarda aí que vou perguntar se você pode marcar outro horário para isso. Acho que não vai ter problema nenhum! Eu pergunto e venho te dizer já já, ok?
- Espera... Você falou muito rápido.
Nesse momento eu pensei onde o médico bateu quando fez o parto dela.
- Falei rápido? / - Sim. Você falou.
- Vou perguntar.
Resposta dada. Outra pergunta. Ela me olhou desconfiada e se tentasse perceberia que na verdade eu estava com a cabeça na tela de um computador que sequer conseguia entender o que era um “c” cedilha. Mas não revelei isso, porque afinal certas coisas não devem ser explicadas exceto entre conversas do lado direito do cérebro com o lado esquerdo e vice-versa: um papo cabeça.
Ela foi embora para que me sentisse pior e com um serviço atrasado por causa de uma porta que abri no horário do almoço - no qual não almoçava.
Brasil... Ame-o ou deixe-o. Já escolhi para onde ir! :-)
Escrito por Wagner às 00h17
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Estatuto da Criança e do Adolescente
Ou a Vida como Ela É

Senhoras e senhores, eu fui assaltado. Aconteceu na tarde da última sexta-feira, anterior ao final de semana no qual fiz a prova do concurso para o Ministério Público! Ah... Ó sexta-feira ideologicamente traumática... Imagine você que nesse dia estudei o Estatuto da Criança e do Adolescente e já me compadecia dos pequenos ‘cometedores’ de atos infracionais (vamos ser politicamente corretos, afinal...).
Se não me engano: 19h00... Estava atrasado para a última aula do curso preparatório para concursos. Quando desci do ônibus só me restou um pensamento rápido: atravessar a faixa da parada mais próxima ao curso mesmo avistando um grupo de garotos que entupiam os miolos de cola. “Preconceito!!” exclamei em pensamentos... E no atravessar da faixa me repreendi. Como pode um cristão sustentar esteriótipos que excluem o adolescente negro e pobre da sociedade? Como pode um cristão temer atravessar a outra faixa mais próxima de um grupo de adolescentes que estavam ali devido a falta de políticas públicas que oportunizassem melhores condições de vidas para eles? E ainda: poderia ser eu ali se a história da minha vida não conhecesse oportunidades também.
Sim. Tudo isso, em palavras mais curtas e em orações bem mais simples, durante o término da travessia, já próximo aos adolescentes. Um deles se aproximou de mim para um diálogo que esperado: “Ei, arranja 50 centavos aí?” Um sorriso amistoso de minha parte: “Rapaz eu vou ficar te devendo. Trago na próxima, ok?” Um assalto rápido e indolor da parte dele: foi-se embora meu cordão de ouro que acompanhou todas as metamorfoses da minha vida (sim, além disso era de ouro puro).
Eu ainda parei, no susto, virei para trás e estendi a mão como quem pede o cordão de volta. Mas um dos adolescentes infratores me avisou: “Te sai doido... Te sai.” E me ocorreu que poderia ter sido minha carteira, meu celular, minha bolsa com livros e tudo o que ela continha... Resolvi seguir meu rumo e evitar o pior.
Naquele momento a travessia era interior: voltava do lado ideológico do “Estatuto da Criança e do Adolescente” para o lado chamado “A Realidade fala Mais Forte que a Imaginação dos Defensores de Delinqüentes Juvenis”. Mas pior que essa travessia intimista era a lembrança do ônibus cheio de gente que parou próximo à faixa propiciando um camarote improvisado para aqueles que, se pudessem, pediriam um replay do assalto.
Dias depois estávamos eu e a prova a sós: ela me perguntava sobre o modo de proteger adolescentes infratores... Eu me perguntava o modo de proteger as vítimas deles.
Um pensamento: a impessoalidade das provas me parece discriminatória às vezes.
Escrito por Wagner às 00h08
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